domingo, 5 de julho de 2015

Ich bin ein griechisches

Είμαι μια ελληνικά  Eu sou um grego

Civis grecus sum 
Adriano Augusto


Pegar ou largar! Foi assim que o presidente do Eurogrupo, constituído pelos ministros das finanças da zona Euro, apresentou o ultimato ao governo grego para aceitar a continuação da austeridade na Grécia, como condição prévia para  o país receber mais empréstimos dos credores, afim de fazer face  ao pagamento de juros da dívida acumulada desde há vários anos. 

A opção do governo, para não perder a face perante as promessas eleitorais de por fim aos planos de austeridade desde 2010, foi a de dar a voz ao povo, através da realização de  um referendo.


OXI  - não em grego - foi a opção vencedora do referendo realizado dia 5 de julho de 2015


Grande dia para a Europa dos cidadãos, da coesão económica e social, da cooperação e da solidariedade entre as nações.
A Hélade, berço da democracia e da civilização europeia,  é Europa.
Hoje,  à semelhança de Kennedy no Muro de Berlim, perante 61,32% de OXI, também digo que eu, europeu,
Ich bin ein griechisches


domingo, 15 de dezembro de 2013

Luzes pelos Direitos Humanos


Amnistia Internacional de Chaves
Participa na campanha mundial







segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Guimarães, Capital Europeia da Cultura

Título de 2012 partilhado com Maribor, Eslovénia








O espetáculo "O berço de uma nação"  dos La Fura Del Baus, de Barcelona, marcou o arranque, em 21 de janeiro de 2012, da Capital Europeia da Cultura, Guimarães 2012.










terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ano Europeu do Envelhecimento

E da solidariedade intergeracional


Acerca do Ano

2012 é o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações. Uma oportunidade para todos de reflectir sobre o facto de os europeus viverem agora mais tempo e com mais saúde do que nunca e aproveitar as oportunidades que se oferecem.

O envelhecimento activo pode dar à geração do baby-boom e aos idosos do futuro a oportunidade de:

■permanecerem no mercado do trabalho e partilharem a sua experiência,
■continuarem a desempenhar um papel activo na sociedade,
■viverem uma vida o mais saudável e gratificante possível.
É também essencial para manter a solidariedade intergeracional em sociedades em que o número de pessoas idosas aumenta rapidamente.

O desafio para os políticos e todos os que se interessam por estas questões será melhorar as oportunidades do envelhecimento activo em geral e de levar uma vida autónoma, intervindo em áreas tão diversas como o emprego, os cuidados de saúde, os serviços sociais, a educação de adultos, o voluntariado, a habitação, a informática e os transportes.

O Ano Europeu pretende sensibilizar para estas questões e para a melhor forma de as abordar, mas acima de tudo procura incentivar os responsáveis a estabelecerem objectivos e a tomar medidas para os alcançar.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Turras contra Tugas

Cinquentenário do 4 de Fevereiro

O 4 de fevereiro de 1961 é um marco histórico para Angola porque, em termos de ação armada, marca, para os Turras, o princípio do fim do jugo colonial português, na sangrenta caminhada, de décadas, para a independência e a paz.  Mas a data também  é portuguesa, faz parte da memória coletiva dos Tugas.


RI 19 de Chaves

Não é costume as nações celebrarem derrotas militares mas não devemos envergonhar-nos de ter perdido as três Guerras do Ultramar. Pelo contrário, devemos prestar homenagem aos combatentes que, de ambos os lados da trincheira, morreram em Angola, Guiné e Moçambique.


Infelizmente foi preciso uma guerra de treze anos, ceifando milhares de vidas, para que o clamor de "Angola é Nossa" cedesse lugar ao de "Angola para os angolanos".






O 4 de fevereiro de 1961 contribuiu para a libertação do povo português, de uma ditadura que teimava na política do "orgulhosamente sós", não reconhecendo na ONU o direito dos povos à autodeterminação. Conduziu ainda ao fim do nosso império colonial, reduzindo o espaço geográfico português ao solo pátrio europeu, de onde o Tuga partira cinco séculos  antes à descoberta e conquista de outros mundos.


Falecido em defesa da pátria, cemitério de Sonim, Valpaços

Cinquanta anos depois ainda há muitos homens e famílias da geração do "soldadinho que não volta do outro lado do mar" que sofrem as cicatrizes das guerras do ultramar.


Ex-combatentes do ultramar português - Friends forever 
Amizade extensiva às esposas, filhos e netos.






Que as novas gerações de angolanos e portugueses tirem ensinamentos do "4 de fevereiro", a fim de caminharem unidas, numa comunidade de interesses, alicerçada no passado e na língua comuns.


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Modernidade e Exclusão Social

"Triste mundo, que veste quem está vestido e despe quem está nu”
Calderón de La Barca.

Mais um Ano Europeu chega ao fim.
Na calha, o Ano Europeu do Voluntariado.


Da última vez que estive com alunos em Estrasburgo, foi a convite da Câmara Municipal da capital da Alsácia, como prémio pelo nosso trabalho  "L'Europe à Coeur", integrado no concurso "Nous, l'Europe". Do programa de receção às escolas vencedoras, além da visita às instituições europeias, constava um passeio de bateau-mouche pelos canais de Estrasburgo. 


Descobrir tantos jovens, excluídos sociais, nas margens do rio e sob as pontes, foi um choque. Surpreendeu-me ver  autênticos farrapos humanos  no coração de uma Europa abastada e civilizada. Aquele mundo condoía-me, não era  o meu, não me identificava com ele; sentia-me ser do lado de cá, do lado dos afortunados, dos que mandam, descido ao antro de um 'hades' moderno.



Este ano, "Ano Europeu de combate à pobreza e à exclusão social",  compromisso político da União Europeia e dos Estados membros, reafirmado na Carta de Lisboa, conferências internacionais em Lisboa, Bruxelas e noutras capitais europeias encerraram, com pompa, um ano marcado, em Portugal, por um sem número de marchas, seminários, encontros, workshops (em inglês moderno fia mais fino!) e outras atividades,  cofinanciadas pela União Europeia, e destinadas a sensibilizar-nos para as temáticas da pobreza e da exclusão social.




No nosso país criaram-se uma CNA - Comissão Nacional de Acompanhamento,  (tinha que ser)  de trinta e três elementos, presidida por Sua Excelência, a Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social; uma Entidade Nacional de Execução e uma equipa técnica de apoio permanente. Dos eixos estratégicos definidos pela comissão retenho dois: contribuir para a redução da pobreza e responsabilizar o conjunto da sociedade. As newletters da CNA encarregaram-se de propagandear as ações que a dita cuja foi financiando ao logo de 2010.


Em jeito de balanço, confronte-se os resultados esperados e obtidos com o dispêndio de tempo, energias e recursos financeiros, gastos  no ritual de boas intenções. Quem vê os noticiários, sabe o que 2010 trouxe, em termos de empregabilidade e segurança no emprego. Ouve, igualmente, o que declaram aos orgãos de comunicação social, os técnicos de instituições de solidariedade social que lidam com antigos e  novos pobres, idosos, toxico-dependentes, imigrantes, os sem-abrigo e vítimas de exclusão social.  


Tantas manifestações de solidariedade social, ao longo do ano, a que a sociedade civil correspondeu com assistencialismo e voluntariado, redundaram numa sociedade mais inclusa, de mais cidadania ativa?
Consultem-se as estatísticas do Eurostat,   sobre  a evolução da redestribuição da riqueza, nos diferentes Estados da União Europeia.  Seremos nós, cidadãos, que devemos ter vergonha - como declarou o PR - e culpabilizarmo-nos por haver fome em Portugal ou a classe política, eleita para exercer o poder em nosso nome e para nós?


Documentário sobre os sem-abrigo em Lisboa
Sinopse
"As Ruas da Amargura são povoadas por homens e mulheres, de todas as idades, com carências afectivas, financeiras, problemas mentais, alcoolismo, toxicodependência, ou simplesmente pessoas que chegaram a Portugal à procura de uma vida um pouco melhor".





Prémio de Jornalismo do Ano Europeu de 2010
"Una escuela para la Esperanza", reportagem vencedora, na categoria audiovisual. "A Escola da Esperança” aborda o trabalho de integração de alunos de etnia cigana, numa escola pública, de um bairro de habitação social de Sevilha.
Nada de especial, que não se faça nas nossas escolas de bairros problemáticos.


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Canções de Natal na Europa

Unidade na diversidade
O cristianismo é um dos pilares da civilização europeia


PORTUGAL
Adeste Fideles
A mais popular música de Natal portuguesa, cuja autoria é atribuída ao rei Dom João IV, tem a particularidade de ter sido escrita em latim e de estar envolvida numa controvérsia sobre a sua origem. Clicar aqui para conhecer a polémica. Dela existem traduções em diferentes línguas europeias. Gosto das versões cantadas em espanhol (Venid fieles) e em inglês (O Come All Ye Faithful), por Bing Crosby.


Concerto de Reis na Paróquia de Santo André de Sobrado - Valongo

Adeste, fideles, laeti triumphantes;
Venite, venite in Bethlehem.
Natum videte Regem angelorum.

Refrão
Venite adoremus, venite adoremus,
Venite adoremus, Dominum.

En grege relicto, humiles ad cunas
Vocati pastores approperant:
Et nos ovanti gradu festinemus.

Refrão

Aeterni Parrentis splendorem aeternum
Velatum sub carne videbimus,
Deum infantem, pannis involutem.

Refrão

Adeste, fideles, laeti triumphantes;
Venite, venite in Bethlehem.
Natum videte Regem angelorum.

Refrão



FRANÇA
Gloria in Excelsis DeoLes Anges dans nos Campagnes
Canção de origem francesa, século XVI, autor desconhecido
Ils annoncent la naissance
...
Et, pleins de reconnaissance,
Chantent en ce jour solennel :
Gloria in excelsis Deo (bis)

Cherchons tous l’heureux village
Qui l’a vu naître sous ses toits ;
Offrons-lui le tendre hommage,
Et de nos cœurs et de nos voix :
Gloria in excelsis Deo (bis)



ALEMANHA
O Tonnembaum
O autor e compositor desta música são desconhecidos, só se sabe que esta é de origem germânica.





ÁUSTRIA
Stille Nacht
"Noite Feliz" é uma das canções mais populares da noite de Natal. Nasceu na Áustria, em 1818.





ROMÉNIA
Chama-se colindă a qualquer cântico de Natal

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Orgulhoso de Ser Português

A Selecção de Futebol de Carlos Queiroz e a de Filipe Scolari






Na era de Scolari os portugueses tinham orgulho da sua selecção de futebol. Os resultados alcançados no Euro 2004, em Portugal; no Campeonato do Mundo de 2006, na Alemanha e no Euro de 2008, na Suiça, guindaram a selecção nacional ao TOP TEN do futebol mundial, feito jamais atingido por outros treinadores.

Ao ciclo áureo de Scolari sucedeu o tempo de Carlos Queiroz, mister fleugmático, educado num estilo very british, pouco dado à exteriorização das emoções. Carlos Queiroz é um treinador de futebol com a lição preparada ao pormenor. É o Professor que do alto da sua sapiência técnica transmite aos pupilos as tácticas aprendidas nos cursos mais prestigiados de futebol. Os jogadores assimiliam as últimas novidades sem ousar questionar os ensinamentos do Professor.







O treinador da selecção portuguesa de futebol é um homem afável. Educado, trata com urbanidade as pessoas com quem se relaciona. Na maneira de ser e de estar identifica-se com a cultura urbana. Uma das suas primeiras medidas foi acabar com a música pimba na selecção e com a invocação de santinhas, incluindo, certamente, a protecção de Nossa Senhora de Caravaggio nos jogos de mata-mata.

Como qualquer político modernaço, cuida da sua imagem, praticando jogging no Passeio Marítimo de Oeiras.

Scolari, qual condottiere, galvanizou a nação portuguesa e esta correspondia aos seus apelos, enfeitando de bandeiras verde-rubras as varandas e janelas de cidades, vilas e aldeias, de Norte a Sul de Portugal.

Scolari é um homem de fé, católico praticante, conservador. Nos jogadores incutiu a mística religiosa, criando à sua volta um grupo coeso. Descendente de imigrantes italianos, nasceu no Sul do Brasil, nos Pampas gaúchos, trazendo para o Portugal profundo o culto de Nossa Senhora de Caravaggio. Determinado, o Sargentão como também é conhecido, cometeu o pecado de não convocar um destacado dragão, acusado de afrontar o anterior treinador de futebol na Coreia, em 2002. Só, contra um batalhão de comentadores de tribuna, irados com a decisão de não convocar a sumidade, aguentou-se, inabalável, até ao fim, ao leme de selecção das cinco quinas.

O povo esteve sempre ao lado de Filipão, grande homem simples, arrebatador, sem papas na língua. Correram mundo os gestos contra Dragutinovic, no jogo com a Sérvia a contar para o Euro 2008. Também ficou célebre o seu comentário contra os treinadores de bancada "Portugal classifica-se e o burro sou eu!".
Melhor sorte com a comunicação social teve o sucessor. Apesar de a selecção ter caído a pique no rang da FIFA e de entre Mister Queiroz e o povo não haver empatia, a comunicação social tem sido extremamente simpática com ele. À falta de resultados que restaurem o orgulho de ser português, valoriza-se o passado do professor enquanto seleccionador da equipa de Sub 21.

A Escolinha do Professor
Carlos Queiroz e Scolari simbolizam as duas faces de Portugal, o cosmopolita e o tradicional. Virado para uma classe média urbana, formatada na ideia de que o que se faz lá fora é bom, fundou no concelho de Oeiras, no Parque Desportivo Carlos Queiroz, uma soccer school, com patrocínio do Manchester United. A escolinha de futebol, de acordo com cartazes estrategicamente colocados no Porto de Recreio de Oeiras, tem, escritos em inglês, programas "after school" e "Saturday class". Os preços praticados seleccionam os alunos, oriundos de famílias predispostas a pagar um preço elevado para terem os filhos na prestigiada escola. Não se sabe se terão talento para chegar à craveira de um Cristiano Ronaldo, formado, inicialmente, na escola da rua. Todavia, na óptica de obtenção de prestígio e status social elevado, o mais importante é a própria frequência da soccer school.

Filipão não tem nenhuma «soccer school" nem nenhum parque desportivo com o seu nome. É um homem humilde, identificado com uma bandeira. ´Fez Portugal chorar de alegria, isso não se esquece. Há dias veio do Uzbequistão para apoiar o professor, elogiar CR9 e incentivar as desmotivadas hostes portuguesas. Pertence à história do fenómeno desportivo em Portugal. Na esteira dos egrégios avós levanta de novo o esplendor de Portugal. É uma tremenda injustiça não ter sido ainda galardoado por quem detém o poder em Portugal.


E agora, professor?
Eu não acredito nesta selecção sem garra e sem alma mas desejo o apuramento do meu país para o Mundial de 2010. Dez anos depois de ter recorrido pela última vez à calculadora, Portugal volta a fazer contas para garantir a classificação para uma grande competição de futebol. Nas eliminatórias para o Mundial de 2010, na África do Sul, a seleção portuguesa precisa vencer os dois últimos jogos, contra Hungria e a Malta, ambos em casa, e esperar por um deslize da Suécia para garantir um lugar na repescagem.






Esperança Renasce
Hoje a Suécia perdeu por 2 - 0 contra a Dinamarca e no Estádio da Luz fez-se luz, Portugal, ganhou por 3 - 0 à Hungria. A selecção nacional já não depende de terceiros para estar presente em 2010 na África do Sul!










quarta-feira, 7 de outubro de 2009

99º Aniversário da República

A um ano do centenário da Proclamação da República, um pouco por todo o país, foi assinalado, sem pompa, o feriado nacional do Dia 5 de Outubro. O Chefe de Estado, a pretexto de não interferir na campanha eleitoral para a eleição dos órgãos de poder autártico, reduziu ao mínimo a sua participação nos festejos comemorativos.



No entanto, na Câmara Municipal de Lisboa, em cuja varanda foi proclamado o regime republicano, como é habitual, foi hasteada a bandeira nacional e os políticos, num ritual despojado de vida, fizeram discursos de circunstância.

«A República Velha nada alterou das tradições desonrosas da Monarquia. Mudou apenas a maneira de cometer os erros. (...) No que respeita aos erros de administração – a incompetência, a imoralidade, o caciquismo – ficámos na mesma, mudando apenas os homens que faziam asneiras, que praticavam roubos e que escamoteavam "eleições". De sorte que a República Velha era a Monarquia sem Rei». Fernando Pessoa

Era assim que o poeta via o regime republicano anterior ao Estado Novo. No entanto, passados trinta e cinco anos da madrugada libertadora do 25 de Abril de 1974, há porém sinais de que voltamos a tempos de má memória. A partidocracia instalada e um povo que elege quem "rouba mas faz" levam António Barreto a falar na "falta de carinho dos portugueses pela liberdade".


Câmara Municipal de Loures
Foi a 4 de Outubro de 1910, um dia antes da revolução que levou à implantação da República no resto do país, que um grupo de republicanos tomou os Paços do Concelho, na altura a funcionar noutro edificio, e içou pela primeira vez a bandeira verde e vermelha.

Quem não se tem coíbido de manifestar a sua oposição ao regime republicano é o grupo Causa Real. Os seus adpetos, que não considero patuscos, hastearam a bandeira monárquica em alguns edificios emblemáticos e defendem a realização de um referendo para saber se os portugueses querem ou não a restauração da monarquia.
Não sou monárquico e nem sei se tomaria o partido da monarquia no referendo! Acho, isso sim, a bandeira monárquica muito bonita e, sem a coroa, daria uma linda bandeira republicana!



Exéquias reais passando no local do crime


Monárquicos, apoiantes da restauração da monarquia, mandaram colocar uma placa comemorativa no edifício da esquina do Terreiro do Paço, onde o rei Dom Carlos I e o príncipe herdeiro foram assassinados.



segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Este País Endoidou!

Alberto João Jardim dixit...
...No noite das eleições legislativas que deram a vitória a Sócrates.
O líder do governo regional madeirense referindo-se aos casos polémicos em que o primeiro ministro apareceu envolvido durante o seu mandato, mostrou dessa forma a sua incredulidade perante o voto de confiança que os eleitores deram ao primeiro-ministro para continuar a governar Portugal.



Ai, ai, ai, ai, eu gosto deste rapaz!
No Largo do Rato, simpatizantes e militantes, embora contidos, «numa festa que não houve» não deixavam de exclamar a sua alegria para a câmara da televisão. Uma apoiante, inebriada pela vitória, gritou que "O gajo é jeitoso, sabe falar" !








Professores retiram maioria absoluta a Sócrates
Quem também tem motivos para estar contente, mas sem euforia, são os professores. Enquanto corpo profissional, o seu objectivo centrou-se no apelo ao voto anti-Sócrates, esgotadas as gigantescas manifestações para pressionar a demissão da ministra da educação. Ainda durante a campanha eleitoral, os movimentos independentes, sem a solidariedade dos sindicatos, convocaram manisfestações em frente ao Ministério da Educação, à Presidência da República e à Assembleia da República, a que responderam meia dúzia de gatos-pingados.



Aparentemente, o partido que mais beneficiou eleitoralmente do descontentamento dos professores foi o Bloco de Esquerda. Tradicionais votantes do PS transferiram-se nestas eleições para o BE. E Louçã soube agradecer-lhes o voto dizendo que "Hoje à noite Maria de Lurdes Rodrigues perdeu o seu lugar no governo, perante o país. Dou os parabéns aos professores que ganharam em nome da educação".

O Partido Popular de Paulo Portas, outro partido ganhador, também fez apelo ao voto dos professores. A promessa de restituir aos docentes a autoridade que a política educativa de Sócrates lhes retirou terá rendido alguns dividendos eleitorais ao CDS-PP.

Quanto aos comunistas, que desceram de terceira força política para o quinto lugar, será que têm motivos para gritar "CDU avança com toda a confiança"? Como lembrou o execrável MST, os comunistas passaram quatro anos a fazer oposição ao PS mas do meio milhão de votos que o PS perdeu, a CDU só ganhou trinta mil.


Manela! Manela!
Gritavam os jovens laranjas, uns dias antes das eleições, no Passeio Marítimo de Oeiras. A derrota eleitoral nas legislativas ainda não se vislumbrava no horizonte. Na passagem por mim entregaram-me duas canetas, um boné e uma bolsa. Mas quantos cidadãos sabem que as campanhas eleitorais dos partidos ´com assento parlamentar são financiadas pelo erário público? Acho abusivo os partidos políticos, supostamente defensores da democracia, auto-contemplarem-se com uma benesse que contribui para o descrédito do regime democrático.

Pois chegou, Manela!
Quando Paulo Rangel ganhou as eleições do Parlamento Europeu para o PSD, imediatamente houve vozes de barões no partido que atribuiram, injustamente, o mérito da vitória à lider do PSD. Rangel, humildemente remeteu-se ao silêncio e só foi chamado na última semana da campanha eleitoral para surgir ao lado da líder, transmitindo-lhe, sorridente e bonacheirão, a força anímica de que ela carecia para empolgar multidões. Vitorioso das eleições europeias, é ele o indesejado herdeiro do poder dentro do PSD e futuro candidato a primeiro-ministro. Mas que se cuide, o ambicioso cacique de Vila Real, Passos Coelho, viciado na politiquice desde os tempos da JSD, não lhe vai facilitar a tarefa de chegar ao pódio!


Voto na Mesa C-1 da Escola EB1 Sá de Miranda, em Oeiras, "edifício construído e entregue ao município pelo empresário Francisco da Silva Santos", conforme se lê na placa de inauguração. Quando fui votar, por volta das 11 horas, surpreendeu-me a elevada movimentação de eleitores, superior ao habitual, tendo chegado à mesa de voto só depois de algum tempo de espera. Fiquei, por isso, na expectativa de que a participação no acto eleitoral fosse elevada.




Contudo, a participação elevada não se verificou. A abstenção no concelho de Oeiras foi de 34,95% e no país chegou aos 39,4%, superando a abstenção de 2005. Quatro em cada dez eleitores não exerceram o seu direito de votar! Porquê? As explicações superficiais são muitas, sem irem ao cerne da questão. Mas o rei, isto é, o regime democrático, vai nu! Por um lado impede-se o voto por correspondência a quem não se encontra no seu local de voto no dia da votação e pretende-se retirar o direito de votar aos nossos emigrantes e por outro, como terapia falaciosa, fala-se em tornar o voto obrigatório e na criação de milagrosos circulos uninominais que beneficiarão artificialmente a representatividade da maior força política em cada pequeno círculo eleitoral criado. Tudo será feito, é certo, não em função da defesa de ocultos interesses partidários mas em nome da santa democracia!

Asfixia Democrática



Durante a campanha eleitoral falou-se em asfixia democrática, em censura do Governo a jornalistas incómodos e em escutas do Governo ao Chefe de Estado. PSD e PS trocaram acusações. Na linha de acção de Jorge Coelho, famoso por afirmar que quem se mete com o PS leva porrada, João Soares apelidou MFL de ser a "Outra Senhora", expressão política usada para designar o regime de Salazar. A lider do PSD ficou ofendida, como aliás ficam outros militantes sociais-democatas, sempre que um dirigente socialista os insulta, chamando-os ou insinuando que são fascistas.

À parte o folclore do jogo de palavras, durante a campanha eleitoral não se falou da verdadeira asfixia democrática sentida pelos pequenos partidos. Ignorados pela comunicação social, ficam impedidos de fazer chegar as suas propostas aos eleitores e estes ficam limitados na sua opção de escolha. Agora já nem tempos de antena existem! É possível que não mudasse o sentido do meu voto mas gostaria de ter tido livre acesso à informação das novas formações partidárias sem ficar limitado às decisões de quem controla a comunicação social. Fiquei admirado de ver no boletim de voto, no momento em que estava a votar, que no círculo eleitoral de Lisboa, ao qual pertenço, havia quinze formações partidárias a concorrrer. Evoluímos de um regime pluripartidário para um regime pentapartidário e, se assim continuar, paira sobre nós o aspectro do Big Brother bipartidário.



175.399 cidadãos eleitores deram o seu voto a formações partidárias que não serviram para eleger qualquer deputado. Com um sistema eleitoral democrático, semelhante ao que funciona na Holanda, onde existe uma quota de deputdos eleitos por um circulo eleitoral único, nenhum voto se perde, todos são úteis. Se esse sistema fosse aplicado em Portugal o MRPP, com 52.632 votos teria eleito dois deputados, o MEM - Movimento Esperança Portugal, com 25.335 votos, teria eleito um. Os votos perdidos, devido ao Método de Hondt, benificiam os grandes partidos. O PS, com 36,56% dos votos expressamente válidos, obtem 96 mandatos, correspondentes a cerca de 40% dos deputados.


Na Alemanha, Angela Merkel ganhou as eleições por maioria relativa, como o PS, mas vai formar um governo de coligação com um parceiro que lhe dá apoio parlamentar. Em Portugal, um Sócrates arrogante e não isento de suspeita social de comportamentos ilícitos vai formar um governo minoritário e logo a seguir terá de negociar, aos zigue-zagues, com este ou aquele partido, para obter apoio ou abstenção parlamentares. Na Alemanha uma moção de censura obriga a que os partidos de oposiçao encontrem uma solução partidária para governar o país; em Portugal, o cenário provável são a realização de eleições antecipadas.


Sócrates vai-se aguentar até quando? Fazem-se apostas!



P.S. Lê-se em rodapé que o INE enviou dia 28 de Setembro uma notificação de défice excessivo ( 5,9% , mas há quem fale em 9%) ao EUROSTAT. Estatísticas oficiais, dando conta da má perfiormance da economia, escondidas até depois das eleições. Quem beneficiou com a retenção da informação?